terça-feira, 16 de novembro de 2010

Escrito há 114 anos...


«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
Um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.»

Guerra Junqueiro, 1896

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Não será exagero?

Anda tudo muito excitado com a tal de Cimeira da OTAN - ou NATO, em língua inglesa - principalmente as forças de segurança que, finalmente vão ter oportunidade de mostrar o que valem! A mim não me apanham a dar palmas à OTAN, mas também não me vou manifestar contra a presença de fulanos que vêm discutir a melhor forma de impingir armas aos incautos! Sim, senhor, é preciso que haja «condições» e, principalmente prevenir os distúrbios que habitualmente acompanham estas reuniões. Mas, dar «tolerância de ponto» aos funcionários públicos que trabalham na Cidade de Lisboa, parece-me um claro exagero! Faz lembrar um pouco a histeria à volta de Alcabideche, quando a Fórmula I veio pela primeira vez a Portugal, lá pelos anos 80. Ainda por cima, a «tolerância de ponto» é «entendida» pelos funcionários públicos como não ir de todo ao local de trabalho e não como a possibilidade de entrar mais tarde ou sair mais cedo. Mas, nós somos assim: ou oito ou oitenta...

domingo, 14 de novembro de 2010

Mais uma do «jornalismo-de-sarjeta»...

No Diário de Notícias - jornal que, desde há algum tempo, resolveu tratar da »vidinha» a prever a mudança na governação - há «funcionários» que não tendo, aparentemente nada que fazer, dedicam-se a actividades «pidescas», como a procura intensa de coisas para «lixar» o governo, a partir do Diário da República! Ou então, não! Se calhar trabalham por «encomenda»! E lá foram descobrir que, nos últimos tempos, o governo nomeou nove funcionários por dia! Ora, como eles gostam de dizer, isto é um facto. Mas, a questão é a importância que o facto tem e a intenção com se apresenta o dito facto! Qualquer indivíduo com carteira de «jornalista» tem obrigação de saber que os cargos de direcção intermédia da Administração Pública têm comissões de serviço de 3 anos e que, ao fim desse tempo, fazem-se novos concursos ou nomeiam-se as pessoas em substituição até fechar o concurso. Da mesma forma, os de direcção superior duram 3 anos e tem que haver renomeação ou nomeação de outra pessoa. E há muitos mais exemplos do que é a inevitável burocracia do Estado, que faz com que tudo seja publicado no DR. Será que o «jornalista» e quem nele manda desconhece isto? Não! Eles sabem, isso sim, que uma simples notícia como esta provoca «estragos» e esse é, sem dúvida, o seu objectivo, seja «encomenda» ou simples «inclinação» política! Sabem, também, que a RTP1 e quejandos pelam-se para dar a sua contribuição à «causa»...

sábado, 13 de novembro de 2010

Vai ser um «falatório» durante uns quinze dias...

Dizer que me agrada ver a Direita no governo, não posso dizer, porque não é verdade! Mas, será que nas actuais circunstâncias há outro «remédio»? Será que Luis Amado disse alguma coisa tão inoportuna? Parece-me que não! Infelizmente, as posições estão tão extremadas que vai ser difícil fazer com que os políticos coloquem o País à frente dos interesses partidários! É pena. Podiam entender-se até ao fim da legislatura e, depois, nas eleições, «quem-tivesse- unhas-tocava-guitarra»! Mas, outra vez governos minoritários, não, obrigado...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Grande poeta é o povo (8)...












Quando estas verdades digo
a um amigo, estou a ouvi-lo
ele a dizer lá consigo:
- Aquilo não é comigo,
eu não sou nada daquilo.

Mas, se em meus versos bendigo
dum amigo, fica feliz
a dizer lá p´ra consigo:
- Oh diabo, aquilo é comigo,
sou tal qual o que ele diz.

(António Aleixo - Este Livro Que Vos Deixo)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vivó S. Martinho...

Pelo S. Martinho,
Rabusca o teu soitinho
E apanhas as castanhas
Faz o teu magustinho;
Vai à tua adega,
Encerta teu pipinho
E prova o teu vinhinho;
E, se te apetecer,
Vai ao teu cortelho
E mata o teu porquinho.

(in blogue Escavar em Ruínas)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

E o outro!? Já veio de Cabo Verde!?

Quem ande distraído até podia pensar que o processo BPN não existe e que aquilo foi uma «invenção» do governo para «desviar atenções»! Mas, não! O «desvio» terá sido outro! E tanta «gente-de-bem» que tinha lá a «massinha» das reformas, como o Professor Cavaco! Oliveira e Costa é o «rosto» da coisa, mas há outros que nunca são referidos porque, também, fazem parte da «gente-de-bem» deste nosso Portugal. Talvez Dias Loureiro possa ficar mais descansado e «regressar» dos seus «negócios» em Cabo Verde. É aproveitar agora, que os «vendedores de papel» andam muito «excitados» com os juros a mais de 7%! O pior é que parece terem esquecido como tudo começou...